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Um antiviral para a dengue desenvolvido pela Janssen, divisão farmacêutica da Johnson & Johnson, apresentou, pela primeira vez em testes clínicos com humanos, resultados promissores na inibição da replicação do vírus. Os resultados iniciais da segunda etapa dos estudos, anunciados no Encontro Anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, mostraram que o medicamento JNJ-1802 induziu uma atividade inédita contra o vírus, sendo seguro e bem tolerado. O próximo passo é um estudo maior para estabelecer a eficácia em voluntários em 10 países, incluindo o Brasil.

Os resultados promissores do JNJ-1802 oferecem esperança na luta contra a dengue, segundo Marnix Van Loock, líder da divisão de Patógenos Emergentes da Janssen. O teste de desafio humano, envolvendo 54 voluntários em diferentes grupos, demonstrou uma resposta dose-dependente. A droga bloqueia proteínas essenciais para a replicação do vírus, e a próxima fase do teste envolverá aproximadamente 2 mil voluntários, avaliando o efeito contra a contaminação na vida real.

Ruxandra Draghia-Akli, líder da divisão de Saúde Pública Global da Janssen, destaca a ameaça crescente da dengue devido às alterações climáticas. A empresa já havia publicado resultados promissores em primatas não humanos e camundongos. No cenário brasileiro, o país registrou 1,55 milhão de casos de dengue em 2023 até o momento, tornando este ano o segundo pior em incidência na série histórica. A fase avançada do teste visa avaliar o medicamento contra a contaminação através da picada do mosquito.

Dados do Ministério da Saúde indicam a gravidade da situação no Brasil, com 1,55 milhão de casos até o último dia 10. Comparativamente, 2022 superou 2015 como o ano mais letal, registrando 1.016 óbitos. Até agora, em 2023, o país já identificou 979 mortes relacionadas à dengue.

Fonte: Bernardo Yoneshigue, Rio de Janeiro. Publicado em Indústria Farmacêutica – 354

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